Sensores e Atuadores

Sensor de rotação: função, localização e diagnóstico

Sensor de rotação e roda fônica sobre bancada

O sensor de rotação é o componente que informa à central de injeção a velocidade do motor e a posição exata do virabrequim. Sem esse sinal, a central não sabe quando injetar nem quando gerar a centelha, e o carro simplesmente não pega. Ele fica junto à roda fônica, perto do volante do motor ou da polia do virabrequim, e pode ser do tipo indutivo (dois fios) ou Hall (três fios). O diagnóstico é feito medindo a resistência da bobina, a tensão gerada durante a partida e, quando possível, a forma de onda no osciloscópio.

Este artigo explica função, localização, tipos, sintomas e passo a passo de teste, com foco no que o reparador e o mecânico encontram na oficina. Faz parte da série de sensores do guia completo do reparador de módulos.

O que é o sensor de rotação

Também chamado de sensor de posição do virabrequim (CKP, de Crankshaft Position), o sensor de rotação é considerado o sensor mais crítico do motor. Ele cumpre duas funções principais:

  1. Medir a rotação (RPM). A central conta quantos dentes da roda fônica passam por segundo.
  2. Informar a posição angular do virabrequim. Um espaço sem dentes na roda (a falha) serve de referência para a central saber em que ponto do ciclo cada pistão está.

Com essas informações, a central sincroniza a injeção de combustível e a ignição. Em geral, ele trabalha junto do sensor de fase, que informa qual dos ciclos (compressão ou escape) o cilindro está.

Onde fica o sensor de rotação

A roda fônica mais comum tem 60 dentes com 2 faltando (chamada 60-2), embora existam outras configurações, como 36-1. O espaço sem dentes marca o ponto morto superior de referência.

O sensor fica a uma distância muito pequena da roda, chamada de entreferro, normalmente entre 0,5 e 1,5 mm. Se o sensor for mal montado, ou se a roda estiver empenada, o sinal fica fraco ou falha.

Tipos de sensor de rotação

Sensor indutivo (magnético)

Tem dois fios (e às vezes uma malha de blindagem). Consiste em uma bobina com um ímã permanente. Quando os dentes de ferro da roda passam pelo ímã, o campo magnético varia e gera uma tensão alternada na bobina.

A bobina tem resistência característica, que geralmente fica entre algumas centenas e cerca de mil ohms, dependendo do fabricante. Confirme o valor no manual do veículo.

Sensor de efeito Hall

Tem três fios: alimentação (5 V ou 12 V), massa e sinal. Contém um elemento semicondutor que detecta variações do campo magnético e um circuito que entrega uma onda quadrada (liga e desliga) para a central.

Sensor óptico e magnetorresistivo

São menos comuns em rotação, mas existem em algumas aplicações. Seguem lógica semelhante ao Hall, com três fios e saída digital.

TipoFiosAlimentaçãoSinal
Indutivo2 (às vezes 3 com malha)NãoSenoide alternada
Hall3SimOnda quadrada

Sintomas de sensor de rotação com defeito

O sintoma mais característico é o carro que gira no motor de partida e não pega. Também é comum:

Defeitos intermitentes são frequentes. É comum o sensor funcionar a frio e falhar quando esquenta, pois a bobina muda de resistência com a temperatura e o sinal cai abaixo do mínimo que a central reconhece.

Causas comuns

Códigos de falha comuns

CódigoSignificado resumido
P0335Mau funcionamento do circuito do sensor de posição do virabrequim
P0336Sinal fora da faixa esperada
P0337Sinal baixo
P0338Sinal alto
P0339Sinal intermitente
P0016Correlação entre virabrequim e comando de válvulas

Em muitos casos de defeito total do sensor, a central nem consegue gravar o código, pois sem rotação ela não parte. Um scanner que mostra RPM igual a zero durante a partida já é indício forte.

Como testar o sensor de rotação passo a passo

Ferramentas

1. Verificação visual e do entreferro

Retire o sensor. Verifique se há limalha no ímã, danos na ponta, fio rompido e conector com oxidação. Examine a roda fônica pelo furo do sensor: dentes danificados ou desalinhamento afetam o sinal. Confirme o entreferro com lâmina calibrada, se o modelo permitir.

2. Teste de resistência (indutivo)

Desconecte o sensor. Meça a resistência entre os dois terminais, com o motor frio, e compare com o valor do fabricante. Valor infinito indica bobina aberta, e valor muito baixo indica curto. Um detalhe importante: repita o teste com o sensor aquecido (com um secador de cabelo, por exemplo), pois defeitos térmicos só aparecem quente. Meça também entre cada terminal e a carcaça: deve haver isolação (resistência infinita).

3. Teste de tensão alternada na partida (indutivo)

Com o sensor conectado (ou com o multímetro ligado nos terminais do chicote), coloque o multímetro em tensão alternada e acione o motor de partida. Deve aparecer um sinal, em geral acima de 0,5 V AC durante a partida, aumentando com a rotação. Se não aparecer sinal, o sensor ou o chicote estão com defeito.

4. Teste de alimentação e sinal (Hall)

Com a ignição ligada e o conector solto, meça a alimentação (5 V ou 12 V) e a massa. Reconecte e meça a tensão no fio de sinal enquanto o motor gira: em multímetro, a tensão média oscila. O ideal é usar osciloscópio para ver a onda quadrada completa.

5. Análise no osciloscópio

Conecte o osciloscópio ao sinal e dê partida. Observe:

O osciloscópio também revela falhas intermitentes que o multímetro não pega.

6. Teste de continuidade do chicote

Verifique continuidade dos fios entre o sensor e a central, curto entre fios e para a massa, e a integridade da blindagem. Mexa no chicote durante o teste para expor falsos contatos.

Cuidados na troca

  1. Desligue a bateria antes.
  2. Limpe a região de montagem e confirme que o sensor novo é o mesmo modelo (indutivo ou Hall).
  3. Use a espessura de calço ou o aperto que o fabricante especifica para o entreferro.
  4. Prenda o chicote longe de fontes de calor e de cabos de alta tensão.
  5. Em alguns veículos é necessário reaprender ou sincronizar a posição do virabrequim com o scanner após a troca.

Quando o problema é a central

Se o sensor e o chicote testam bem e o motor continua sem partida, o circuito de tratamento de sinal da central pode ter falhado. Entradas de sinal de rotação usam condicionadores (comparadores, transistores de proteção) que queimam por picos de tensão ou umidade. É um defeito recorrente de bancada e costuma ter reparo. Veja reparar ou trocar módulo eletrônico. Para outros casos em que o módulo não comunica, veja módulo ECU de trator não comunica.

O guia completo de sensores automotivos mostra como esse sensor se encaixa no conjunto de leituras da central.

Perguntas frequentes

O carro pega sem o sensor de rotação?

Na grande maioria dos carros com injeção eletrônica, não. A central precisa do sinal de rotação para comandar injeção e ignição.

Qual a diferença entre sensor de rotação e sensor de fase?

O de rotação lê a roda do virabrequim e informa a velocidade e a posição. O de fase lê o comando de válvulas e informa qual cilindro está em qual tempo do ciclo.

Sensor de rotação ruim causa falha só quando esquenta?

Sim. É um dos sintomas mais comuns. A bobina interna muda de resistência com o calor e o sinal cai.

Dá para testar o sensor indutivo só com multímetro?

Dá para medir resistência e a tensão alternada durante a partida. Para ver falhas de forma de onda, o osciloscópio é mais indicado.

Posso trocar um sensor indutivo por um Hall?

Não. Eles têm alimentação, fios e tipo de sinal diferentes. A central espera um tipo específico.

Resumo

O sensor de rotação é essencial: sem ele, não há partida. Teste a resistência (indutivo), a alimentação (Hall) e o sinal durante a partida, verifique o entreferro e a roda fônica e use o osciloscópio quando possível. Só depois de descartar sensor, roda e chicote é que se deve investigar a central.

Osciloscópio mostrando sinal de sensor de rotação
Sensor de rotação instalado próximo ao volante do motor

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